Tempos dificeis! Era época do pós guerra e, talvez por isto, eu tenha assumido esse meu espirito nomade, tão parecido com o de meus cavalos. Por uma necessidade de sobrevivencia meu pai se transferia frequentemente
de cidade, levando junto a família. Assim, a única casa que lembro como lar, até aos 7 anos de idade, era a da minha avó materna. Rodamos toda a Alemanha, da Baviéra, onde nasci, até a Prussia, origem de meu pai.
O 'resto' da Europa vim a conhecer com nossa migração para a America do Sul. Anualmente nosso domicilio mudava, por dois, tres meses, para a Europa. Foi como entrei em contato com a cultura - musica, dança, teatro, pintura, escultura e costumes de outros povos. Foi muito bom mas tambem me impediu de fixar raizes e ter aquilo que muitos chamam de 'amigos de infancia'. Na verdade, tambem não tenho muito senso de 'familia'! Com a preemente necessidade de sobrevivencia, fui criada 'solta' aprendendo a resolver meus proprios problemas, desde cedo. Não me foi dada muita oportunidade de gritar por socorro. No final. acho que isto foi possitivo: me forjou a ferro e fogo, coisa que depois se mostrou essencial.
O gosto pelas cores nasceu nestas visitas aos museus. Os renascentistas sempre me encantaram. E as cores de Tisciano eram deslumbrantes. Aquele vermelho enferrujado...Minha memória o registrou e nunca mais o esqueci! 
Uma vez saida da casa de meus pais,essa minha inquietude espacial ficou mais forte. Não haveria outra palavra para me definir melhor do que 'caminhante'. Não mais do que dois anos em um unico lugar! Nem que fosse na mesma cidade, tinha que mudar de domicilio. Buscando...Não me perguntem. Apenas buscando. A vocação profissional já bem definida mas, buscando. Vivia, nos finais de semana, nos intervalos entre o consultório e o hospital, todas horas vagas, na estrada. Em atividades paralelas, totalmente diferentes de minha profissão de escolha: desfiles, apresentações de dança, campeonatos equestres, rodeios...qualquer coisa que me colocasse viajando, satisfazendo meu lado cigana.

Uma vez saida da casa de meus pais,essa minha inquietude espacial ficou mais forte. Não haveria outra palavra para me definir melhor do que 'caminhante'. Não mais do que dois anos em um unico lugar! Nem que fosse na mesma cidade, tinha que mudar de domicilio. Buscando...Não me perguntem. Apenas buscando. A vocação profissional já bem definida mas, buscando. Vivia, nos finais de semana, nos intervalos entre o consultório e o hospital, todas horas vagas, na estrada. Em atividades paralelas, totalmente diferentes de minha profissão de escolha: desfiles, apresentações de dança, campeonatos equestres, rodeios...qualquer coisa que me colocasse viajando, satisfazendo meu lado cigana.
Voces que me conhecem centrada, não se assustem. Essa 'nomadez' tambem era totalmente centrada. Nunca duvidei de minha vocação. Apenas buscava e não sabia bem o que. Talvez uma familia, talvez um lugar, talvez minhas raizes. Era esse 'talvez' que me fazia buscar. Não me sentia deslocada. Em lugar nenhum. E isso me fazia sentir estranha: todas pessoas que conheci tinham saudades de um lugar, de pessoas e eu NÂO. Isso sempre me pareceu estranho. Não tinha saudades nem de minha infancia, nem de minha juventude e isso era muito estranho.
Coisas das quais eu tinha certeza: minha vocação, meu amor e minha vontade de viver. Viver muito, intensamente, plenamente.


Bem, comprei a terra, estendi uma lona e, por um par de anos, essa foi a minha moradia com o firme propósito de plantar, junto com os meus cavalos,
SONHOS, IDEAIS E FLORES.



