É com imensa satisfação que comunico que, finalmente, a primeira edição saiu do prelo e em breve estará nas bancas. Espero poder, com esta publicação, acrescentar um pouco de conhecimento aos profissionais que, como eu, são apaixonados por este método e pelos cavalos.
Para deixar a leitura agradavel e leve, inseri, entre os capítulos de cunho cientifico, pensamentos, poesias e gravuras.
Adoraria ve-los no lançamento que acontecerá dia 16 de novembro, no Brasilia Country Club, durante o Campeonato Brasileiro de Adestramento Para equestre. Optei por este evento pois ele fala muito de mim e me é muito caro.
Se, no entanto, não puderem comparecer devido à distancia, e quizerem adquirir o livro, por favor, entrem em contato direto comigo pois tenho exemplares à disposição para venda.
Voces podem me contactar pelo Facebook Gabriele Brigitte Walter, pelo Twitter Fundação Rancho GG ou pelo e.mail ranchogg@gmail.com
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
domingo, 11 de setembro de 2011
FLORES E CORES DO RANCHO GG
Tempos dificeis! Era época do pós guerra e, talvez por isto, eu tenha assumido esse meu espirito nomade, tão parecido com o de meus cavalos. Por uma necessidade de sobrevivencia meu pai se transferia frequentemente
de cidade, levando junto a família. Assim, a única casa que lembro como lar, até aos 7 anos de idade, era a da minha avó materna. Rodamos toda a Alemanha, da Baviéra, onde nasci, até a Prussia, origem de meu pai.
O 'resto' da Europa vim a conhecer com nossa migração para a America do Sul. Anualmente nosso domicilio mudava, por dois, tres meses, para a Europa. Foi como entrei em contato com a cultura - musica, dança, teatro, pintura, escultura e costumes de outros povos. Foi muito bom mas tambem me impediu de fixar raizes e ter aquilo que muitos chamam de 'amigos de infancia'. Na verdade, tambem não tenho muito senso de 'familia'! Com a preemente necessidade de sobrevivencia, fui criada 'solta' aprendendo a resolver meus proprios problemas, desde cedo. Não me foi dada muita oportunidade de gritar por socorro. No final. acho que isto foi possitivo: me forjou a ferro e fogo, coisa que depois se mostrou essencial.
O gosto pelas cores nasceu nestas visitas aos museus. Os renascentistas sempre me encantaram. E as cores de Tisciano eram deslumbrantes. Aquele vermelho enferrujado...Minha memória o registrou e nunca mais o esqueci! 
Uma vez saida da casa de meus pais,essa minha inquietude espacial ficou mais forte. Não haveria outra palavra para me definir melhor do que 'caminhante'. Não mais do que dois anos em um unico lugar! Nem que fosse na mesma cidade, tinha que mudar de domicilio. Buscando...Não me perguntem. Apenas buscando. A vocação profissional já bem definida mas, buscando. Vivia, nos finais de semana, nos intervalos entre o consultório e o hospital, todas horas vagas, na estrada. Em atividades paralelas, totalmente diferentes de minha profissão de escolha: desfiles, apresentações de dança, campeonatos equestres, rodeios...qualquer coisa que me colocasse viajando, satisfazendo meu lado cigana.

Uma vez saida da casa de meus pais,essa minha inquietude espacial ficou mais forte. Não haveria outra palavra para me definir melhor do que 'caminhante'. Não mais do que dois anos em um unico lugar! Nem que fosse na mesma cidade, tinha que mudar de domicilio. Buscando...Não me perguntem. Apenas buscando. A vocação profissional já bem definida mas, buscando. Vivia, nos finais de semana, nos intervalos entre o consultório e o hospital, todas horas vagas, na estrada. Em atividades paralelas, totalmente diferentes de minha profissão de escolha: desfiles, apresentações de dança, campeonatos equestres, rodeios...qualquer coisa que me colocasse viajando, satisfazendo meu lado cigana.
Voces que me conhecem centrada, não se assustem. Essa 'nomadez' tambem era totalmente centrada. Nunca duvidei de minha vocação. Apenas buscava e não sabia bem o que. Talvez uma familia, talvez um lugar, talvez minhas raizes. Era esse 'talvez' que me fazia buscar. Não me sentia deslocada. Em lugar nenhum. E isso me fazia sentir estranha: todas pessoas que conheci tinham saudades de um lugar, de pessoas e eu NÂO. Isso sempre me pareceu estranho. Não tinha saudades nem de minha infancia, nem de minha juventude e isso era muito estranho.
Coisas das quais eu tinha certeza: minha vocação, meu amor e minha vontade de viver. Viver muito, intensamente, plenamente.


Bem, comprei a terra, estendi uma lona e, por um par de anos, essa foi a minha moradia com o firme propósito de plantar, junto com os meus cavalos,
SONHOS, IDEAIS E FLORES.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
O RELÓGIO
Na verdade, minha vida e meu dia a dia não é pautado pelo tictac contínuo de um relógio. Gosto de pontualidade, não me atrazo em meus compromissos mas...antes da meia noite ainda é hoje!
Como vivo no campo o nascer e o pôr do sol, a rotina dos cavalos ditam minhas horas. Nas aulas, a capacidade de atenção de meus alunos avisa a hora de uma pausa e a hora de terminar a jornada é quando, obviamente, o cansaço mental não permite a assimilação de novas informações.
Dito isto, deu para suspeitar que não uso relógio de pulso, não tenho relógio em meu quarto nem em minha área de trabalho, que por sinal, é uma arena de areia na qual trabalho com meus cavalos e relógio do telefone celular não é bem vindo.
Assim mesmo tem um relógio muito especial que marca minha vida: ele tem personalidade! Isso mesmo, personalidade e vontade própria. É todo feito em madeira (menos as engrenagens, é claro) , movido a pêndulo e pesos. Tem a figura estilizada de um cavalo , no topo, e marcação de horas em numeros romanos desenhados em papel, que agora já está bem amarelado. E nem pensar em substituir!!! O ponteiro de horas até que é obediente mas depende de um insubordinado ponteiro de minutos. Acho que com a convivência, ele assimilou que a diferença de alguns minutos para mais ou para menos, no total do dia cheio de terefas, não faz a menor difereça. Ele tambem entendeu que antes da meia noite é hoje.
Ele está comigo há muito tempo. Antes da morte de meu pai , que foi em 1991. Me acompanhou em andanças e mudanças, nesta minha vida de cigana, andarilha ou hippie (como preferirem!).
A personalidade dele se manifesta em coincidencias. Prefiro chamar assim pois sou relutante em acreditar em situações paranormais, metafisicas ou algo assim. Mas confesso que, vez por outra, essa minha vertente fora do compreensivel se manifesta e desafia minha lógica.
Pois eu já morava fora de São Paulo, o relógio mantinha o tiquetaquear grave e monotono pendurado no hall perto do meu quarto, quando, numa das noites de dezembro 1991, acordei assustada com um pesadelo. O relógio estava parado. Lembrei de meu sonho: meu pai me chamava angustiado. Não dei atenção e, de manhã, sai para trabalhar. Lancei meu jipe 8 valvulas em direção a São Paulo para mais uma jornada no hospital. Quando voltei, tarde da noite, para casa, no portão do rancho havia um bilhete: seu pai teve um enfarte subito e morreu. Fiz meia volta e fui o mais rápido que pude, e jipe não corre mesmo que voce tenha a maior pressa do mundo, de volta para São Paulo...
Tempos depois o relógio, por motivos que não vale a pena contar aqui, sumiu, desapareceu e não deixou pistas de seu paradeiro.
Mudei, mais uma vez, minha moradia. Há alguns anos, três mais precisamente, vasculhando uma loja de 'largados' , aqui em Ibiuna, achei o meu velho relógio. Desmontado, quebrado, judiado. Comprei, embrulhei cuidadosamente num pano e levei para casa. Peça a peça, com todo carinho, fui colando, untando e rejuntando e...finalmente pedurado na cantina ele começou a ressucitar num timido tictac. Assim voltou a marcar, totalmente sem utilidade, as horas mas a personalidade dele se manifesta todas vezes que alguem querido está mal: ele para de funcionar e só retoma seu ritmo quando a situação está resolvida.
Porque justo hoje resolvi escrever sobre esse 'parceiro'? Em abril, deste ano, ele parou! Não houve impulso que o fizesse funcionar. Dia após dia eu movia seu falecido pendulo, puxava os pesos e nada. Hoje, do nada, resolveu funcionar. Sei que alguem querido está bem!!!
terça-feira, 2 de agosto de 2011
IMPRESSÕES DE VIAGEM - UM PAÍS EM GUERRA
COLOMBIA (ABRIL 2011)
Viajar faz parte de minha rotina e não altera muito meu dia a dia. Mas existem viagens diferentes e esta para a Colômbia foi uma delas: um misto de viagem de trabalho , viagem de cabeça e viagem emocional.
Talvez pelo ar rarefeito, talvez pelos intermináveis dias de chuva mas, creio que muito mais, pelo contato com lembranças de passado me tornei mais acessível emocionalmente por tudo que vi e ouvi.
O objetivo foi iniciar a formação de oficiais necessários para o esporte para eqüestre naquele país. Correu tudo bem apesar do meu fraco espanhol, compensado pela boa vontade dos alunos, a missão foi cumprida e temos 7 candidatos a classificadores nacionais. Primeiro passo necessário para a classificação e qualificação dos jinetes, criando um obletivo de treino para os instrutores. Até aqui nada de diferente a tantos outros objetivos alcançados.
Já no primeiro dia após minha chegada quando fui fazer a classificação funcional de cavaleiros, nas instalações da Cavalaria Colombiana, me deparei com lembranças nostálgicas de tempos passados na Cavalaria Brasileira, no Rio de Janeiro. Parece que todas instalações de cavalaria foram inspiradas num mesmo modelo. Subi as escadas para as salas de instrução, uma delas adaptada para consultório de classificação. Quem esteve comigo no Realengo, com certeza vai se lembrar das salas de instrução...Topo de escada, o ar faltando, o coração batendo forte em parte pela altitude, em parte pelas lembranças. E chovendo forte lá fora, quase no topo das montanhas que envolvem Bogotá.
Entra o primeiro cavalariano para ser avaliado: cego. Perdeu a visão em uma mina terrestre. Chamam-na aqui de ‘mina ante pessoal’ ! Segundo cavalariano: perdeu uma das pernas em mina terrestre...e assim foi todo o dia.
No final da jornada, visivelmente abalada, sentei com um pessoal da cavalaria e cedi ao impulso de me envolver um pouco mais com a história daquele país. Guerra!!!! Uma guerra que dura já 50 anos, amputando, lesando e matando não só os envolvidos diretamente nesta guerra mas também, e muito, civis, crianças, velhos, mulheres...pelas minas plantadas aleatoriamente pelo país. Uma guerra sem sentido!!! Todas guerras são cruéis e inceitaveis mas essa é ainda mais cruel: não vai ter fim!!!! Uma guerra sem objetivos, sejam eles ideológicos ou de finalidade de defesa de fronteiras... uma guerra entre irmãos de sangue e de nação. Aumentada mais ainda pela junção de uma outra guerra: a do narcotráfico.
Uma guerra com objetivos, o objetivo alcançado ela termina; uma guerra sem objetivo NÃO tem fim. Criam cada vez mais mortes e lesões.
Entendi a necessidade fundamental da implantação do esporte para eqüestre na Colômbia: uma forma de devolver a cada um deles a possibilidade de continuar a manter sua identidade pessoal que a guerra tenta, a todo custo, destruir.
É um povo orgulhoso de sua identidade. Identidade esta estampada nas feições miscigenadas indígenas; orgulho este estampado em cada esquina com dizeres: TENHA FÉ EM TEU PAÍS, AMA A TUA BANDEIRA. E tem essa fé e amam essa bandeira.
Achei irmãos e a eles saúdo com os dizeres cavalarianos: ‘QUE NOSSAS ESPORAS VOLTEM A SE TOCAR EM BREVE’.
Voltei ontem, saudada por um céu de brigadeiro e uma noite iluminada por uma incrível lua cheia, muito, muito cansada, tanto pelo trabalho com pelas emoções vividas.
Ralatorio encaminhado para minha 'chefe'
I will try to explain, to you, the importance I feel about the introduction of para equestrian sport in Colombia. Either you or me take contact with war or after war but we can go along the first steps of para equestrians. At this time we see many people trying to reacquire their self esteem and wish of life on horseback. Well, this was what I see arriving in Colombia: amputees, blinds, paraplegics, people break down by an endless insane war witch takes yet 50 years. The injustificated cruelty of the earth mines (they call them ‘anti personal mines!) sow out in the fields hurts not only the soldiers but children, women, old people, indiscriminately. It will not be easy to explain this war. The only thing I can see is the endless fight between brothers of blood in an internal war.
I take a whole day at the Army Health Battalion making classifications of soldiers of the cavalry. There were young cavalries, hurt by the mines, witch only dream was win medals of sport but no medals for be hurt in combat. Proud young people who rides in events of show jumping and endurance and now sit down in wheel chairs, depends on crutches and protesis…We can give them back the proud, self esteem and hope by giving them back the dream of ridding. For this it needs only a little bit of incentive because the will and the propose they have. There was a previous life on horseback and there can be a posteriors life on horseback for them, now thru the para equestrian dressage.
In this first travel wake up the trust and hope that they can do it. I know that it is a long way to go before they can perform international competitions, but I’m sure that they will be ready for local and national competitions even at end of this year and so conquest the proud and trust that was stolen.
Dear Chris, your suggestion was that I could hold the course here in Brazil (Sao Paulo) and that the people could come here. I don’t see that this can work: first - we have to think about distances- from Sao Paulo to Bogotá, for instance, there are 5000km, and all distances in South America are very big!; second – Brazil have a stable ,well valorized money, on the contrary of the other counties of South America. So it would be too expensive the coming of people to Brazil and so the propose to spread sport to South America will not work. It is absolutely necessary think in a different way North and South America, west and east of the Andes.
There the para equestrians are not simply a wish; they are a need
sexta-feira, 29 de abril de 2011
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