Viajar faz parte de minha rotina e não altera muito meu dia a dia. Mas existem viagens diferentes e esta para a Colômbia foi uma delas: um misto de viagem de trabalho , viagem de cabeça e viagem emocional.
Talvez pelo ar rarefeito, talvez pelos intermináveis dias de chuva mas, creio que muito mais, pelo contato com lembranças de passado me tornei mais acessível emocionalmente por tudo que vi e ouvi.
O objetivo foi iniciar a formação de oficiais necessários para o esporte para eqüestre naquele país. Correu tudo bem apesar do meu fraco espanhol, compensado pela boa vontade dos alunos, a missão foi cumprida e temos 7 candidatos a classificadores nacionais. Primeiro passo necessário para a classificação e qualificação dos jinetes, criando um obletivo de treino para os instrutores. Até aqui nada de diferente a tantos outros objetivos alcançados.
Já no primeiro dia após minha chegada quando fui fazer a classificação funcional de cavaleiros, nas instalações da Cavalaria Colombiana, me deparei com lembranças nostálgicas de tempos passados na Cavalaria Brasileira, no Rio de Janeiro. Parece que todas instalações de cavalaria foram inspiradas num mesmo modelo. Subi as escadas para as salas de instrução, uma delas adaptada para consultório de classificação. Quem esteve comigo no Realengo, com certeza vai se lembrar das salas de instrução...Topo de escada, o ar faltando, o coração batendo forte em parte pela altitude, em parte pelas lembranças. E chovendo forte lá fora, quase no topo das montanhas que envolvem Bogotá.
Entra o primeiro cavalariano para ser avaliado: cego. Perdeu a visão em uma mina terrestre. Chamam-na aqui de ‘mina ante pessoal’ ! Segundo cavalariano: perdeu uma das pernas em mina terrestre...e assim foi todo o dia.
No final da jornada, visivelmente abalada, sentei com um pessoal da cavalaria e cedi ao impulso de me envolver um pouco mais com a história daquele país. Guerra!!!! Uma guerra que dura já 50 anos, amputando, lesando e matando não só os envolvidos diretamente nesta guerra mas também, e muito, civis, crianças, velhos, mulheres...pelas minas plantadas aleatoriamente pelo país. Uma guerra sem sentido!!! Todas guerras são cruéis e inceitaveis mas essa é ainda mais cruel: não vai ter fim!!!! Uma guerra sem objetivos, sejam eles ideológicos ou de finalidade de defesa de fronteiras... uma guerra entre irmãos de sangue e de nação. Aumentada mais ainda pela junção de uma outra guerra: a do narcotráfico.
Uma guerra com objetivos, o objetivo alcançado ela termina; uma guerra sem objetivo NÃO tem fim. Criam cada vez mais mortes e lesões.
Entendi a necessidade fundamental da implantação do esporte para eqüestre na Colômbia: uma forma de devolver a cada um deles a possibilidade de continuar a manter sua identidade pessoal que a guerra tenta, a todo custo, destruir.
É um povo orgulhoso de sua identidade. Identidade esta estampada nas feições miscigenadas indígenas; orgulho este estampado em cada esquina com dizeres: TENHA FÉ EM TEU PAÍS, AMA A TUA BANDEIRA. E tem essa fé e amam essa bandeira.
Achei irmãos e a eles saúdo com os dizeres cavalarianos: ‘QUE NOSSAS ESPORAS VOLTEM A SE TOCAR EM BREVE’.
Voltei ontem, saudada por um céu de brigadeiro e uma noite iluminada por uma incrível lua cheia, muito, muito cansada, tanto pelo trabalho com pelas emoções vividas.
Ralatorio encaminhado para minha 'chefe'
I will try to explain, to you, the importance I feel about the introduction of para equestrian sport in Colombia. Either you or me take contact with war or after war but we can go along the first steps of para equestrians. At this time we see many people trying to reacquire their self esteem and wish of life on horseback. Well, this was what I see arriving in Colombia: amputees, blinds, paraplegics, people break down by an endless insane war witch takes yet 50 years. The injustificated cruelty of the earth mines (they call them ‘anti personal mines!) sow out in the fields hurts not only the soldiers but children, women, old people, indiscriminately. It will not be easy to explain this war. The only thing I can see is the endless fight between brothers of blood in an internal war.
I take a whole day at the Army Health Battalion making classifications of soldiers of the cavalry. There were young cavalries, hurt by the mines, witch only dream was win medals of sport but no medals for be hurt in combat. Proud young people who rides in events of show jumping and endurance and now sit down in wheel chairs, depends on crutches and protesis…We can give them back the proud, self esteem and hope by giving them back the dream of ridding. For this it needs only a little bit of incentive because the will and the propose they have. There was a previous life on horseback and there can be a posteriors life on horseback for them, now thru the para equestrian dressage.
In this first travel wake up the trust and hope that they can do it. I know that it is a long way to go before they can perform international competitions, but I’m sure that they will be ready for local and national competitions even at end of this year and so conquest the proud and trust that was stolen.
Dear Chris, your suggestion was that I could hold the course here in Brazil (Sao Paulo) and that the people could come here. I don’t see that this can work: first - we have to think about distances- from Sao Paulo to Bogotá, for instance, there are 5000km, and all distances in South America are very big!; second – Brazil have a stable ,well valorized money, on the contrary of the other counties of South America. So it would be too expensive the coming of people to Brazil and so the propose to spread sport to South America will not work. It is absolutely necessary think in a different way North and South America, west and east of the Andes.
There the para equestrians are not simply a wish; they are a need
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